Madre Teresa, amor devoto

Meu Deus, por livre escolha e por Teu amor, desejo permanecer aqui e fazer o que a Tua vontade exige de mim.

Não! Não voltarei atrás. A minha comunidade são os pobres.

A tua segurança é a minha. A tua saúde é a minha.
A minha casa é a casa dos pobres.

Não apenas dos pobres, mas dos mais pobres dos pobres.

Daqueles de quem as pessoas já não querem se aproximar, com medo do contágio e da sujeira, porque estão cobertos de micróbios e vermes.

Daqueles que não vão rezar nos templos, porque não podem sair nus de casa.

Daqueles que já não comem porque não têm forças para comer.

Daqueles que se deixam cair pelas ruas, conscientes de que irão morrer e ao lado dos quais os vivos passam, sem lhes prestar atenção.

Daqueles que já não choram, porque se lhes esgotaram as lágrimas.

Dos intocáveis.

Madre Teresa de Calcutá

 

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)

Uma vida de amor dedicada à pessoas excluídas

Madre Teresa nasceu em 27 de agosto de 1910 em Skopje, Kossovo (Albânia). Veio ao mundo por uma família católica, feliz e abastada.Seu nome de batismo é Agnese Gonxha Bojaxhin. Pouco se sabe sobre sua infância. Na adolescência se destacava pela bela voz e logo se converteu na solista do coro da igreja local. Agnese (MadreTeresa) seguiu a vida de religiosa influenciada por padres da região. Freqüentou a escola estatal depois ingressou na Congregação Mariana. Desde cedo já se mostrava preocupada com a miséria material e espiritual de tanta gente. O seu sonho era o trabalho missionário junto dos pobres na Índia.

A Origem do Nome Teresa
Ingressou aos 18 anos na Ordem Nossa Senhora de Loreto. Foi para um Mosteiro em Dublin (Irlanda), e de lá enviada para India, na Cidade de Calcutá, onde vestiu o hábito, em 1928.

No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de TERESA. Segunda ela houve na escolha deste nome uma intenção de se parecer com TERESA DE JESUS, não com a grande santa espanhola, mas com a humilde carmelita de Lisieux.

A Melhor Professora
Ainda em 1931, passou a ensinar crianças bem-nascidas ministrando aulas de História e Geografia, seguindo o lema:
Educai a classe alta, que por sua vez ensinará a vida cristã aos pobres“. De professora do Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto (Calcutá), acabou sendo nomeada diretora. Era uma educadora sempre dedicada e atenta a todos os problemas de suas alunas.

Voto Permanente:
Em 1934, faz votos perpétuos na Congregação e torna-se Diretora do setor bengali da Universidade.

O chamado de Deus

Os trens populares na Índia eram compostos de uma mistura de homens e animais amontoados, extremamente sujos e com odor desagradável. A percepção das condições subhumanas foi vital para que Madre Teresa decidisse dedicar o resto de sua vida à melhoria das condições de vida da população carente e excluída:

“Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro… Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo no subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim…” (Madre Teresa)

Sua luta
Quando os pobres de Calcutá morriam durante a noite pelas ruas, na manhã seguinte eram jogados no carro da limpeza como se fossem lixo. Ela não conseguia habituar-se a esse terrível espetáculo, ela não aceitava ver as pessoas morrendo de fome ou pedindo esmola pelas ruas.

Aos poucos com persistência, sua causa ganhou o apoio do Arcebispo e de sua Madre Superiora. Naturalizou-se indiana.

Após cumprir todos os tramites legais e providências jurídicas obteve a permissão para viver fora do convento.

E ao constatar que poderia cumprir a sua missão de uma forma mais objetiva decidiu largar às aulas para dedicar-se exclusivamente aos pobres, observando de perto os sofrimentos de irmãos menos abastados, os miseráveis.

Em 16 de agosto de 1948, Madre Teresa deixa o hábito de freira e abandona o Convento.

Quando viu fecharem-se as portas do conventos às suas costas experimentou um profundo sentimento de desorientação, viu-se sozinha nas ruas de Calcutá, foi tomada pela angústia, sozinha sem casa , dinheiro, trabalho sem saber onde dormir. Tinha apenas a permissão do Papa para viver temporariamente fora do convento, para fundar uma nova Congregação religiosa. Transferiu-se para Patna para fazer um curso de enfermagem, frequentou o curso durante quatro meses, onde aprendeu o que em geral se ensinam em um ano.
25 de dezembro de 1948, Madre Teresa começa oficialmente a sua nova missão a serviço dos mais pobres dentre os pobres, data que ela escolhera por ser aniversário de Cristo.

Depois de abandonado o hábito da Congregação, a Irmã Teresa comprou um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz. Este era seu novo hábito, estava vestida como uma mullher indiana.

Começou dando escola as crianças pobres, lições de higiene e de moral. Distribuía aos pobres donativos e palavras amigas. Sua fama espalhou-se rapidamente, a ponto de ser prontamente conhecida onde quer que fosse.

Tudo no início foi muito difícil. Mas sua coragem e persistência abriam-lhe portas.

Chegando a Calcutá foi visitar uma favela que conhecia, Motijhil, para confraternizar com as mulheres e crianças no dia de Natal. Procurou um lugar para morar. Uma mulher alugou-lhe uma cabana muito pobre por cinco rupias por mes. Aquela foi a sua primeira casa. Na manhã seguinte já se ouvia a voz de Madre Teresa ensinando a cinco crianças as primeiras letras do alfabeto bengali. No quarto não havia móveis nem quadro negro. Com uma varinha a Madre escrevia as letras no chão de terra.

Até poucos meses antes Madre Teresa era a diretora da célebre High School ao lado da favela onde ela se encontrava agora.
E assim tudo começou. Com a ajuda de ex-alunas indianas, de famílias abastadas, passou a recolher mendigos, doentes, crianças abandonadas, drogados, alcoolatras, velhinhos, leprosos e a recuperar ex-presidiários.

Como Surgiu as Missionárias da Caridade

Em l950 foi fundada a Ordem das Missionárias da Caridade.

Mas uma outra benção de Deus foram as vocações que começaram a surgir precisamente entre as suas antigas alunas. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência, filha de uma boa família. A Ordem das Missionárias da Caridade possui hoje mais 4.500 freiras e está em 133 países.

Cuidando dos moribundos
Em 1952 Madre Teresa funda a sua primeira grande obra social em Nirmal Hriday a “Casa dos Moribundos”. O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte deles nem sabia o que era sabão e a espuma.

Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante… Deus ama o silêncio.” (Madre Teresa)

Os pobres não merecem só que os sirvamos, merecem também a alegria e as Irmãs oferecem-na em abundância.” (Madre Teresa)

O Reconhecimento do Vaticano
A Congregação de Madre Teresa, foi aprovada pela Santa Sé em 7 de outubro de 1950. A obra de Madre Teresa cresceu rapidamente. Não trazia esquemas pré-fabricados. O ritmo e as iniciativas eram marcadas pelo inesperado de cada dia.

A Casa do Moribundo
No ano de 1952 andado pela rua avistou uma mulher agonizando no meio de escombros, roída pelos ratos e pelas formigas. Madre Teresa Recolheu-a e levou-a ao hospital mais próximo. Quando viram aquele semi-cadáver responderam a Madre Teresa que não havia lugar para atendê-la. Então Madre Tereza disse:
– Dêem-me um local que eu encarrego-me de tratar dos moribundos.

Deram-lhe duas grandes salas de um edifício anexo ao templo da deusa Kali denominado “Casa do Peregrino”. A Freira mudou o nome para “Casa do Moribundo.”

Até o Sacerdote de Kali, vê a santidade em Madre Teresa
Os bonzos não aceitam uma mulher católica junto ao templo da deusa Kali. Isto para eles era um profanação. Resolveram espiar todos os movimentos da religiosa afim de encontrar uma maneira de se desfazer dela. Tendo conhecimento deste plano, Madre Teresa apresentou-se ao sacerdote de Kali e disse-lhe:

– Se querem matar-me, matem-me agora mesmo, mas não façam mal aos meus pobres moribundos.

Ele ficou surpreendido com a atitude valorosa desta mulher que veio confirmar as boas informações já dadas pelos espiões:
– Observei com todo o cuidado a ação daquela mulher e a minha impressão foi de que, ao olhar para ela, me pareceu ver a própria deusa Kali em ação. Não façais, portanto, mal a essa mulher. (Sacerdote do templo de Kali)

Os sacerdotes da deusa Kali nunca deixaram de demonstrar-nos a sua amizade e até de dar-nos a sua colaboração, em muitos casos…” (Madre Teresa)

De Calcutá para o Mundo
Em 1 de fevereiro de 1965, A congregação ganha status de ordem pela Santa Sé. Logo se estende por toda a Índia. Em 1965, é fundada a primeira casa na América Latina, em Venezuela, na arquidiocese de barquisimeto.
Em 1967, abre outra casa em Roma, por desejo expresso de Paulo VI; mais adiante, João Paulo II entrega-lhe de presente uma casa dentro do próprio Vaticano.

A partir de 22 de Agosto de 1968 a Congregação estende-se por outras regiões: Ceilão, Itália, Austrália, Bangladesh, Ilhas Maurícias, Peru, Canadá, etc. Anos depois as Missionárias da Caridade abrem a sua primeira casa em Londres e fixam aí o aspirantado e noviciado para a Europa e América. Em 1973, abre uma casa em gaza, na Palestina. Abriu uma casa em Berlim oriental e na Rússia e em Cuba, época em que foi recebida por Mikhail Gorbachov.

Prêmios e condecorações
No dia 17 de outubro de 1979, recebe em Oslo o Prêmio Nobel da Paz por dedicar 69 anos de sua vida aos pobres e desamparados, quando declarou que “a pior enfermidade de nossos dias não é a lepra ou a tuberculose, mas a falta de afeto”. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada concede-lhe o cargo de melhor “embaixadora” do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo.

Em setembro de 1971 recebe em Boston nos E. Unidos o “Prêmio Bom samaritano’. Em 25 de janeiro de 1980: recebe o maior prêmio indiano, o “Bhjarat Ratna” (Jóia da India). Em 28 de Junho de 1980, Skoplje nomeia-a “Cidadã Ilustre”. Muitas universidades lhe conferiram o título “Honoris Causa”. E ainda em 1980, recebe a Ordem “Distinguished Public Service Award” nos EUA. Em 1985 recebe do Presidente Reagan, na Casa Branca, a Medalha presidencial da Liberdade a mais alta condecoração do país mais poderoso da terra. Em agosto de 1987, vai à União Soviética e é condecorada com a Medalha de ouro do Comitê soviético da Paz

Sua saúde
Em setembro de 1989, sofre o seu segundo ataque do coração mas recupera-se e retoma o seu trabalho com mais ardor e vigor do que antes, apesar do marcapasso.

O Encontro com Deus
Madre Tereza nos deixou aos 87 anos, vítima de problemas cardíacos, em 05 setembro de 1997, ao lados de pessoas que sempre cuidou. Não foi escritora nem oradora; “não sou uma intelectual nem polemista”.

Assim ela se definiu: “Sou albanesa de nascimento. Agora sou cidadã indiana. Sou também freira católica. Em meu trabalho pertenço a mundo inteiro. Mas em meu coração pertenço a Cristo”.

Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. O cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano foi quem celebrou a Missa de corpo presente.

O Veículo que transportou o corpo do Mahatma Gandhi foi o mesmo utilizado para realizar o cortejo fúnebre da Mãe dos pobres.

 

Contribuição de Sandra Simone Mendes, leitora de CALOR HUMANO!

 

 

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