Alexander Sutherland NEILL (1888-1973)

Alexander Sutherland NEILL (1888-1973)

Educador que ensinava apenas uma coisa: Ser sem interferir nos direitos dos outros. Sua ação se baseava no amor incondicional.

 

Por Arnaldo V. Carvalho (Fevereiro de 1999)

SÍNTESE BIOGRÁFICA

A. S. Neill nasceu em Forfar, Scotland, em 1883, O quarto de 13 crianças. Ele era filho de um mestre-escola ou “Dominie”*, a stern, homem puritano que regrava sua classe com um bastão de ferro. Nesse tempo a correia ou chicote eram comumente usados em escolas na Escócia, e quando Neill tinha 15 anos e foi tomado como aspirante a professor por seu pai, ele já esperava para usar esse recurso em outras crianças.

Com 25 anos, Neill foi para a Universidade de Edimburgo e se graduou em inglês. Depois disso se tornou jornalista e posteriormente diretor de uma pequena escola em Gretna Green. Foi ali que ele escreveu seu primeiro livro, A Dominie’s Log**, e começou a formar suas idéias de liberdade para crianças. Depois de um ano na escola disse:

“Eu converti uma escola rígida num playground, e adorei. Esses meninos tiveram um ano de felicidade e liberdade. Eles fizeram o que quiseram; eles cantaram suas canções enquanto produziam gráficos, eles comeram seus doces enquanto liam seus livros, eles se penduravam em meus braços qunado nós passeavamos em busca de recantos artísticos***.

Em 1917 Neill visitou a `Little Commonwealth’ de Homer Lane, a comunidade para adolescentes delinquentes, e viu o auto-governo em funcionamento. Lane era um firme acreditador da bondade inata das crianças.Ele familiarizou Neill com a “New Psychology” de Freud e mais tarde tornou-se a psicanalista de Neill. Desta forma ele introduziu Neill a dois elementos que foram essenciais à fundação de Summerhill: A reunião de auto-governo, e a importância do bem estar emocional das crianças acima do desenvolvimento acadêmico. * A tradução para “dominie” seria mestre. Foi mantida “dominie” para demonstrar que a palavra numa tradução literal relaciona-se a “dominação”.

** “O Mestre Inconsciente”

*** Neill usa a expressão “artistic corners, que não sei se queria dizer “esquinas de arte”, comuns na Europa, ou recantos com uma beleza considerada artística por ele e as crianças.

SUMMERHILL

Primeiros Anos

Summerhill foi fundado em 1921 em Hellerau, um subúrbio de Dresden, Inglaterra. Ela fez parte de uma escola internacional chamada “New Schule”. Ali havia ótimas facilidades e muito entusiasmo, bas depois de meses seguidos Neill foi progressivamente tornando-se menos satisfeito com a escola. Ele sentiu que ela era conduzida por idealistas – eles desaprovavam o fumo, foxtrots e os cinemas – enquanto ele queria que as crianças vivessem suas próprias vidas. Ele disse:

“Eu estou somente realizando a absoluta liberdade de meu esquema de educação. Eu vejo que todo extremo da compulsão é errado, que a compulsão interior é a única que vale. E se Mary ou David querem ficar a toa, então ficar a toa é a única coisa necessária a suas personalidades nesse momento. Cada momento da vida de uma criança saudável é um momento produtivo. Uma criança não tem tempo para sentar e ficar a toa. Esse comportamento é anormal, e portanto ele é necessário quando existe.”

Junto com a Senhora Neustatter (que depois se tornou sua primeira esposa), Neill mudou sua escola para Austria. A localização era idílica – no topo de uma montanha – mas o povo local, uma comunidade católica, foi hostil.
Em 1923 Neill mudou para o centro de Lyme Regis, no sul da Inglaterra, para uma casa chamada Summerhill. A escola continuou lá até 1927, quando mudou-se para a presente localidade, em Leiston no condado de Suffolk.
Neill continuou a tocar a escola – posteriormente com a ajuda de sua segunda esposa, Ena – até sua morte em 1973. Ena então seguiu até aposentar-se em 1985, quando sua filha Zoe, a corrente Diretora*, tomou a frente.

* Aqui utilizou-se o termo headteacher, que numa tradução literal significaria a cabeça ou a líder das professoras, inexistente no Brasil (Nota do autor)

Summerhill Hoje

Summerhill hoje não mudou fundamentalmente desde seu primeiro início. Ela desejavelmente poderia ser descrita da seguinte maneira:

  • Para permitir a crianças livres crescerem emocionalmente;
  • Para dar as crianças poder sobre suas próprias vidas;
  • Para dar as crianças o tempo de se desenvolverem naturalmente;
  • Para criar uma infância feliz por remover o medo e a coerção por adultos.

Summerhill tem até o presente momento setenta e cinco anos de existência. Seu sucesso em prover um feliz desenvolvimento para às crianças, e em produzir homens e mulheres felizes e equilibrados, permanece como uma contínua prova da noção de Neill que “A ausência do medo é a melhor coisa que pode acontecer a uma criança.”

 

CALOR HUMANO na vida e na obra de Neill

No tempo em que Neill era garoto, a criança era vista como um diabrete, que somente sendo devidamente “educada” poderia se tornar cidadãos respeitáveis. Na mente de Neill nunca foi assim. Ele nunca se sentiu um diabrete, e portanto não duplicou este comportamento repressor. Ao libertar-se de seus últimos condicionamentos criando Summerhill, Neill tratou de demonstrar que a essência do ser humano é de fato bondosa, e somente pôde faze-lo através de seu método próprio, onde transmitia afeto sem apego. Era prático sem ser frio. Era doce sem ser melado. Permitia-se ser humano o tempo todo, relatando suas fraquezas, e seu gosto pelas coisas simples, talvez mais que pelas intelectuais. Sua vida não era a escola; Ela integrava-se com harmonia à esta.

 

BIBLIOGRAFIA

No Brasil, A. S. Neill tem publicados os seguintes livros, todos pela Editora Ibrasa (ao invés de colocar o ano de publicação aqui no Brasil, foi colocado ao lado o ano em que o livro foi escrito):

  • Liberdade Sem Medo (1960): Muitos pensam ser o principal livro do autor. Na verdade foi o primeiro e que mais repercurssão causou no Brasil. Porém seus livros tem caráter complementar, e os mais atualizados enfocam problemáticas da educação já nos dias de hoje.
  • Liberdade, Escola, Amor e Juventude (1967)
  • Liberdade na Escola (1967)
  • Liberdade no Lar (1967)
  • Liberdade Sem Excesso (1968): O autor responde inúmeras cartas de pais e mestres que desejam saber mais sobre o sistema educacional de Summerhill
  • Minha Luta pela Liberdade no Ensino (1972)
  • Um Mestre na Encruzilhada (1975)
  • Um Mestre Contra o Mundo (1975)
  • Diário de Um Mestre-Escola
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