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Amigos secretos

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Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências… A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar!
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não o declare e não os procure.

E, às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu oro pela vida deles. E me envergonho porque essa minha oração é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

“A gente não faz amigos, reconhece-os.”

(Crônica de Garth Henrichs)

O Rio que não queria deixar de ser

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A Lenda das Areias

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Vindo desde as suas origens nas distantes montanhas e após passar por inúmeros acidentes de terreno nas regiões campestres, um rio finalmente alcançou as areias do deserto. E do mesmo modo como vencera as outras barreiras o rio tentou atravessar esta de agora, mas se deu conta de que mal suas águas tocavam a areia, nelas desapareciam.

Estava convicto, no entanto, de que fazia parte de seu destino cruzar aquele deserto, embora não conseguisse fazê-lo. Então uma voz misteriosa, saída do próprio deserto arenoso, sussurrou:

- O vento cruza o deserto, o mesmo pode fazer o rio.

O rio objetou estar se arremessando contra as areias, sendo assim absorvido, enquanto o vento podia voar, conseguindo dessa maneira atravessar o deserto.

- Arrojando-se com violência como vem fazendo, não conseguirá cruza-lo. Assim desaparecerá ou se transformará num pântano. Deve permitir que o vento o conduza a seu destino.

- Mas como isso pode acontecer?

- Consentindo ser absorvido pelo vento.

Tal sugestão não era aceitável para o rio, afinal de contas, ele nunca fora absorvido até então. Não desejava perder a sua individualidade. Uma vez a tendo perdido, como se poderá saber se a recuperaria mais tarde?

- O vento desempenha essa função – disseram as areias.

- Eleva a água, a conduz por sobre o deserto e depois a deixa cair. Caindo na forma de chuva, a água novamente se converte num rio.

- Como é que posso saber que isso é verdade?

- Pois assim é, e se não acredita não se tornará outra coisa senão um pântano, e ainda isto levaria muitos e muitos anos; e um pântano não é certamente a mesma coisa que um rio.

- Mas não posso continuar sendo o mesmo rio que sou agora?

- Você não pode, em caso algum, permanecer assim – retrucou a voz. – Sua parte essencial é transportada e forma um rio novamente. Você é chamado assim ainda hoje por não saber qual é sua parte essencial.

Ao ouvir tais palavras, certos ecos começaram a ressoar nos pensamentos mais profundos do rio. Recordou vagamente um estágio em que ele, ou uma das partes dele, não sabia qual, fora transportada nos braços do vento. Também se lembrou, ou lhe pareceu assim, de que era isso o que devia fazer, conquanto não fosse a coisa mais natural.

Então o rio elevou seus vapores nos acolhedores braços do vento, que suave e facilmente o conduziu para o alto e para bem longe, deixando-o cair suavemente tão logo tinham alcançado o topo de uma montanha, milhas e milhas longe dali.

E é por isso que se diz que o caminho pelo qual o Rio da Vida tem de seguir em sua travessia, está escrito nas Areias.

*   *   *

Contribuição de Suzy Belai

Sua paz interior? Só depende de Você.

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Perto de Tóquio, vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar Zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação. Esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para observar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama.

Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho e sábio samurai aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade. Lá, o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos que conhecia, ofendendo, inclusive, seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho sábio permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro desistiu e retirou-se.

Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado tantos insultos e tantas provocações, os alunos perguntaram: — Como o senhor pôde suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que poderia perder a luta, ao invés de se mostrar covarde e medroso diante de todos nós?

Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? — perguntou o Samurai.

A quem tentou entregá-lo — respondeu um dos discípulos.

O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos — disse o mestre. — Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a serenidade, só se você permitir!

O Guardião do Mosteiro

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Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela.
O Mestre, com muita tranquilidade, falou:
Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.

Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E disse apenas: – Aqui está o problema!
Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e …ZAPT!… destruiu tudo, com um só golpe.

Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:
Você é o novo Guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.

*   *   *

Um problema é um problema, mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, deve ser suprimido.
Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam espaço – um lugar indispensavel para criar a vida.

Os orientais dizem:

“Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar o chá para, então, beber o vinho”.
Ou seja, para aprender o novo, é essencial desaprender o velho.
Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em sua mente. Vai ficar mais fácil ser feliz.

Carroça Vazia

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Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.

Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me
perguntou:

- Além do cantar dos pássaros, você esta ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
– Estou ouvindo um barulho de carroça.
– Isso mesmo, disse meu pai, e uma carroça vazia .

Perguntei ao meu pai:
– Como pode saber que a carroça esta vazia, se ainda não a vimos?
– Ora, respondeu meu pai. E muito fácil saber que uma carroça esta vazia
por causa do barulho.

Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais,
gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura
inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e,
querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

“Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz”

Enviado gentilmente por Luiz F. Miranda, Flórida, EUA, para o site Calor Humano em 1999.

Tigela de Madeira

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Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos
de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos
vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão
falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua
colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

“Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho.

“Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.” Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa
num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da
família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho
quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de
madeira. Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes
ele tinha lágrimas em seus olhos.

Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram de molestações ásperas, quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão. O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai
percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira.

Ele perguntou delicadamente à criança:
– “O que você está fazendo?”
O menino respondeu docemente:
– “Oh, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu
crescer”.

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho.

Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram
mudos. Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família.

Dali para frente e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições
com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam
mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.

De uma forma positiva, aprendi que não importa o que aconteça, ou quão ruim pareça o dia de hoje, a vida continua, e amanhã será melhor. Aprendi que se pode conhecer bem uma pessoa, pela forma como ela lida com três coisas: um dia chuvoso, uma bagagem perdida e os fios das luzes de uma árvore de natal que se embaraçaram. Aprendi que, não importa o tipo de relacionamento que tenha com seus pais, você sentirá falta deles quando partirem.

Aprendi que “saber ganhar” a vida não é a mesma coisa que “saber viver”.

Aprendi que a vida, às vezes, nos dá uma segunda chance. Aprendi que viver
não é só receber, é também dar. Aprendi que se você procurar a felicidade,
vai se Iludir. Mas, se focalizar a atenção na família, nos Amigos, nas
necessidades dos outros, no trabalho e procurar fazer o melhor,a felicidade
vai encontra-lo. Aprendi que sempre que decido algo com o coração aberto,
geralmente acerto. Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor
para outros. Aprendi que diariamente preciso alcançar e tocar alguém. As
pessoas gostam de um toque humano – segurar na mão, receber um abraço
afetuoso, ou simplesmente um tapinha amigável nas costas. Aprendi que ainda
tenho muito que aprender. Aprendi que você deveria passar essa mensagem
para todos seus amigos. Fiz exatamente isso. Às vezes, eles precisam de
algo para iluminar seu dia. As pessoas se esquecerão do que você disse…

Esquecerão o que você fez…

Mas nunca esquecerão como você as tratou.

Pubicado originalmente no site Calor Humano em 2000

Árvore dos Desejos

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No conceito indiano (védico), o Paraíso é composto por árvores-dos-desejos, as quais basta você sentar debaixo e desejar qualquer coisa para que
imediatamente se realize, sem que haja intervalo entre o desejo e a realização.

Uma vez, um homem estava viajando e, acidentalmente, sentou-se embaixo de uma dessas árvores-dos-desejos.

Sem saber do conceito acima e domado pelo cansaço, ele pegou no sono .

Quando despertou estava com muita fome, então disse:

- Estou com tanta fome que desejaria poder conseguir alguma comida em algum lugar.

E imediatamente apareceu comida, vinda do nada, simplesmente uma
deliciosa comida, flutuando no ar.

Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde viera a comida.

Começou a comê-la assim que a viu. Somente depois que a fome desapareceu é que voltou a olhar ao redor, já satisfeito.

Outro pensamento seguiu em sua mente:

- Se ao menos conseguisse algo para beber…

E, imediatamente apareceu à ele excelentes sucos e néctares. Bebendo e relaxando na brisa fresca , sob a sombra da árvore, começou a pensar:

- O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem
espíritos ao meu redor que estão fazendo truques comigo?

E espíritos apareceram. E eram ferozes, horríveis, nauseantes. Ele começou a tremer e um pensamento seguiu em sua mente:

- Agora vou ser assassinado, com certeza.

BUM!!!…E assim aconteceu…

Esta parábola tem apenas um significado: sua mente é a
árvore-dos-desejos, e o que você pensa, mais cedo ou mais tarde, há de se
realizar.

Ás vezes o intervalo entre o pensamento e o acontecimento é tão grande
que nos esquecemos completamente que, de alguma maneira, desejamos o
ocorrido.

Mas, se olharmos profundamente, perceberemos que todos os nossos
pensamentos, medos e receios é que estão criando nossas vidas.

Eles criam nosso inferno ou nosso paraíso; criam nosso tormento ou nossa
alegria; o negativo ou o positivo.

Todos nós somos “mágicos”. E todos estamos fiando e tecendo um mundo
ao nosso redor, sem mesmo tomarmos conta disso.

Sua vida está em suas mãos. Você pode dar a volta por cima, pode
transformar seu inferno em paraíso.

A responsabilidade é toda sua. Seu paraíso depende somente de você!

*   *   *

Publicado originalmente no site Calor Humano, entre 1999 e 2004.

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