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O Guardião do Mosteiro

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Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela.
O Mestre, com muita tranquilidade, falou:
Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.

Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E disse apenas: – Aqui está o problema!
Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e …ZAPT!… destruiu tudo, com um só golpe.

Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:
Você é o novo Guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.

*   *   *

Um problema é um problema, mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, deve ser suprimido.
Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam espaço – um lugar indispensavel para criar a vida.

Os orientais dizem:

“Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar o chá para, então, beber o vinho”.
Ou seja, para aprender o novo, é essencial desaprender o velho.
Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em sua mente. Vai ficar mais fácil ser feliz.

Carroça Vazia

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Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.

Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me
perguntou:

- Além do cantar dos pássaros, você esta ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
– Estou ouvindo um barulho de carroça.
– Isso mesmo, disse meu pai, e uma carroça vazia .

Perguntei ao meu pai:
– Como pode saber que a carroça esta vazia, se ainda não a vimos?
– Ora, respondeu meu pai. E muito fácil saber que uma carroça esta vazia
por causa do barulho.

Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais,
gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura
inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e,
querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

“Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz”

Enviado gentilmente por Luiz F. Miranda, Flórida, EUA, para o site Calor Humano em 1999.

Tigela de Madeira

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Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos
de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos
vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão
falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua
colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

“Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho.

“Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.” Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa
num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da
família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho
quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de
madeira. Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes
ele tinha lágrimas em seus olhos.

Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram de molestações ásperas, quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão. O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai
percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira.

Ele perguntou delicadamente à criança:
– “O que você está fazendo?”
O menino respondeu docemente:
– “Oh, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu
crescer”.

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho.

Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram
mudos. Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família.

Dali para frente e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições
com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam
mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.

De uma forma positiva, aprendi que não importa o que aconteça, ou quão ruim pareça o dia de hoje, a vida continua, e amanhã será melhor. Aprendi que se pode conhecer bem uma pessoa, pela forma como ela lida com três coisas: um dia chuvoso, uma bagagem perdida e os fios das luzes de uma árvore de natal que se embaraçaram. Aprendi que, não importa o tipo de relacionamento que tenha com seus pais, você sentirá falta deles quando partirem.

Aprendi que “saber ganhar” a vida não é a mesma coisa que “saber viver”.

Aprendi que a vida, às vezes, nos dá uma segunda chance. Aprendi que viver
não é só receber, é também dar. Aprendi que se você procurar a felicidade,
vai se Iludir. Mas, se focalizar a atenção na família, nos Amigos, nas
necessidades dos outros, no trabalho e procurar fazer o melhor,a felicidade
vai encontra-lo. Aprendi que sempre que decido algo com o coração aberto,
geralmente acerto. Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor
para outros. Aprendi que diariamente preciso alcançar e tocar alguém. As
pessoas gostam de um toque humano – segurar na mão, receber um abraço
afetuoso, ou simplesmente um tapinha amigável nas costas. Aprendi que ainda
tenho muito que aprender. Aprendi que você deveria passar essa mensagem
para todos seus amigos. Fiz exatamente isso. Às vezes, eles precisam de
algo para iluminar seu dia. As pessoas se esquecerão do que você disse…

Esquecerão o que você fez…

Mas nunca esquecerão como você as tratou.

Pubicado originalmente no site Calor Humano em 2000

Árvore dos Desejos

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No conceito indiano (védico), o Paraíso é composto por árvores-dos-desejos, as quais basta você sentar debaixo e desejar qualquer coisa para que
imediatamente se realize, sem que haja intervalo entre o desejo e a realização.

Uma vez, um homem estava viajando e, acidentalmente, sentou-se embaixo de uma dessas árvores-dos-desejos.

Sem saber do conceito acima e domado pelo cansaço, ele pegou no sono .

Quando despertou estava com muita fome, então disse:

- Estou com tanta fome que desejaria poder conseguir alguma comida em algum lugar.

E imediatamente apareceu comida, vinda do nada, simplesmente uma
deliciosa comida, flutuando no ar.

Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde viera a comida.

Começou a comê-la assim que a viu. Somente depois que a fome desapareceu é que voltou a olhar ao redor, já satisfeito.

Outro pensamento seguiu em sua mente:

- Se ao menos conseguisse algo para beber…

E, imediatamente apareceu à ele excelentes sucos e néctares. Bebendo e relaxando na brisa fresca , sob a sombra da árvore, começou a pensar:

- O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem
espíritos ao meu redor que estão fazendo truques comigo?

E espíritos apareceram. E eram ferozes, horríveis, nauseantes. Ele começou a tremer e um pensamento seguiu em sua mente:

- Agora vou ser assassinado, com certeza.

BUM!!!…E assim aconteceu…

Esta parábola tem apenas um significado: sua mente é a
árvore-dos-desejos, e o que você pensa, mais cedo ou mais tarde, há de se
realizar.

Ás vezes o intervalo entre o pensamento e o acontecimento é tão grande
que nos esquecemos completamente que, de alguma maneira, desejamos o
ocorrido.

Mas, se olharmos profundamente, perceberemos que todos os nossos
pensamentos, medos e receios é que estão criando nossas vidas.

Eles criam nosso inferno ou nosso paraíso; criam nosso tormento ou nossa
alegria; o negativo ou o positivo.

Todos nós somos “mágicos”. E todos estamos fiando e tecendo um mundo
ao nosso redor, sem mesmo tomarmos conta disso.

Sua vida está em suas mãos. Você pode dar a volta por cima, pode
transformar seu inferno em paraíso.

A responsabilidade é toda sua. Seu paraíso depende somente de você!

*   *   *

Publicado originalmente no site Calor Humano, entre 1999 e 2004.

O Copo de Leite

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Um dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias de porta em porta para
pagar seus estudos, viu que só lhe restava uma simples moeda de dez
centavos e tinha fome.

Decidiu que pediria comida na próxima casa. Porém, seus nervos o
traíram quando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta. Em vez de
comida, pediu um copo de água.

Ela achou que o jovem parecia faminto e assim lhe deu um grande copo de
leite. Ele bebeu devagar e depois lhe perguntou:

- Quanto lhe devo?
– Não me deves nada – respondeu ela. E continuou:
– Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma
oferta caridosa.

Ele disse:

- Pois te agradeço de todo coração.
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte
fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais forte.
Ele já estava resignado a se render e de ixar tudo.
Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos
locais estavam confusos. Finalmente a enviaram à cidade grande, onde
chamaram um especialista para estudar sua rara enfermidade.

Chamaram o Dr.Howard Kelly. Quando escutou o nome do povoado de onde ela
viera, uma estranha luz encheu seus olhos.
Imediatamente, vestido com a sua bata de médico, foi ver a paciente.
Reconheceu imediatamente aquela mulher e determinou-se a fazer o
melhor para salvar aquela vida.
Passou a dedicar atenção especial aquela paciente.

Depois de uma demorada luta pela vida da enferma, ganhou a batalha.

O Dr. Kelly pediu a administração do hospital que lhe enviasse a
fatura total dos gastos.Ele conferiu, depois escreveu algo e mandou
entrega-lá no quarto da paciente. Ela tinha medo de abri-la, porque sabia
que levaria o resto da sua vida para pagar todos os gastos.
Finalmente abriu a fatura e algo lhe chamou a atenção, pois
estava escrito o seguinte:

Totalmente pago há muitos anos com um copo de leite (assinado).
Dr.Howard Kelly.

Lágrimas de alegria correram de seus olhos e seu coração feliz rezou
assim: Graças meu Deus porque teu amor se manifestou nas mãos e nos
corações humanos.

O Nó do Afeto

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Em uma reunião de pais numa escola da periferia, a diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos; pedia-lhes também que se fizessem presentes o máximo de tempo possível…

Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e entender as crianças. Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo, durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo… Quando voltava do serviço já era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.

Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa.

E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado.

O nó era o meio de comunicação entre eles. A diretora emocionou-se com aquela singela história e ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola. O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras das pessoas se fazerem presentes, de se comunicarem com os outros.

Aquele pai encontrou a sua, que era simples mas eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo. Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento, simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para
aquele filho, muito mais do que presentes ou desculpas vazias.

É válido que nos preocupemos com as pessoas, mas é importante que elas saibam, que elas sintam isso. Para que haja a comunicação é preciso que as pessoas “ouçam” a linguagem do nosso coração, pois, em matéria de afeto,
os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.

É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o medo do escuro. As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó.

Um nó cheio de afeto e carinho.

Publicado em 1999 no Calor Humano

O Carregador de Água

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Sobre como os defeitos não são defeitos.

Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada sobre seus ombros. Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de agua no fim da longa jornada entre o poço e a casa do seu chefe; o pote rachado chegava apenas pela metade.

Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de agua na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizacoes.

Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miseravel por ser capaz de realizar apenas a metade do que ele havia sido designado a fazer. Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia a beira do poço.
– “Estou envergonhado, e quero pedir-lhe desculpas.”
– “Por que?” Perguntou o homem. “De que voce esta envergonhado?”
– “Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade da minha carga, porque esta rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho ate a casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforcos,” disse o pote.

O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
– “Quando retornarmos para a casa de meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.”

De fato, a medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou as flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu certo animo. Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse o homem ao pote:

- “Você notou que pelo caminho so havia flores no seu lado. Eu, ao conhecer o seu defeito, tirei vantagem dele. E lancei sementes de flores no seu lado do caminho, e cada dia enquanto voltavamos do poço, voce as regava. Por dois anos eu pude colher estas lindas flores para ornamentar a mesa de meu senhor. Sem você ser do jeito que é, ele não poderia ter esta beleza para dar graça a sua casa.”

Autor desconhecido

Publicado originalmente no site Calor Humano, entre 1999 e 2004

Atitude é tudo

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Jerry era o tipo de pessoa que você ia adorar. Sempre de alto astral,
e com algo positivo a dizer.

Quando alguém perguntava para ele: “Como vai você?”, ele respondia:
“Melhor que isso, só dois disso”.

Ele era o único gerente de uma cadeia de restaurantes, porque todos os garçons seguiam seu exemplo.

A razão dos garçons seguirem Jerry era por causa de suas atitudes. Ele era naturalmente motivador.

Se algum empregado estivesse tendo um mau dia, Jerry prontamente estava lá, contando ao empregado como olhar pelo lado positivo da situação.

Sempre que eu me lembrava dele eu ficava pensativo, até que um dia perguntei a ele:
“Eu não acredito. Ninguém pode ser uma pessoa positiva o tempo todo! Como você consegue?”

E ele respondeu:

- Toda manhã eu acordo e digo a mim mesmo: “Jerry, você tem duas escolhas hoje: escolher estar de alto astral ou escolher estar de baixo astral…

Então escolho estar de alto astral. Toda vez que acontece alguma
coisa desagradável, posso escolher ser vítima da situação ou posso escolher
aprender algo com isso. Eu escolho aprender algo com isso.

Todo momento que alguém vem reclamar da vida comigo, eu posso escolher
aceitar a reclamação, ou posso escolher apontar o lado positivo da
vida para a pessoa. Eu escolho apontar o lado positivo da vida.”

Eu argumentei: “Tudo bem! Mas não é tão fácil assim!”,”É fácil sim”
Jerry disse.

“A vida consiste em escolhas. Quando você tira todos os detalhes e
enxuga a situação, o que sobra são escolhas, decisões a serem tomadas. Você
escolhe como reagir as situações. Escolhe como as pessoas irão afetar no seu astral.

Escolhe estar feliz ou triste, calmo ou nervoso… Em suma: É escolha
sua como você vive sua vida.”

Eu refleti no que Jerry disse. Algum tempo depois eu deixei o
restaurante para abrir meu próprio negócio.

Nós perdemos contato, mas freqüentemente eu pensava nele quando tomava
a decisão de viver ao invés e ficar reagindo às coisas.

Alguns anos mais tarde, ouvi dizer que Jerry havia feito algo que nunca
se deve fazer quando trabalha em restaurantes: ele deixou a porta dos
fundos aberta e, seqüentemente, foi rendido por 3 assaltantes armados.

Enquanto Jerry tentava abrir o cofre, sua mão, tremendo de nervoso, errou a combinação do cofre.

Os ladrões entraram em pânico, atiraram nele e fugiram. Por sorte,
Jerry foi encontrado relativamente rápido e foi levado às pressas ao
pronto-socorro local. Depois de 18 horas de cirurgia e algumas semanas de tratamento intensivo, Jerry foi liberado do hospital com alguns fragmentos de balas ainda em seu corpo.

Encontrei com Jerry 6 meses depois do acidente. Quando perguntei:
“Como vai você?” ele respondeu: “Melhor que isso, só dois disso! Quer
ver minhas cicatrizes?”

Enquanto olhava as cicatrizes, perguntei o que passou pela sua mente
quando os ladrões invadiram o restaurante.

“A primeira coisa que me veio à cabeça foi que eu devia ter trancado a
porta dos fundos”, respondeu.

“Então, enquanto estava baleado no chão, lembrei que eu tinha duas
escolhas: podia escolher viver ou podia escolher morrer. Escolhi viver!”

Perguntei: “Você não ficou com medo? Não perdeu os sentidos?” Jerry
continuou:

“Os paramédicos eram ótimos. Ficaram o tempo todo me dizendo que tudo ia dar certo, que tudo ia ficar bem. Mas, quando eles me levaram na maca para a sala de emergência e vi as expressões nos rostos dos médicos e enfermeiras, fiquei com medo. Nos seus olhos eu lia: ‘ele é um homem morto’.

Eu sabia que tinha que fazer alguma coisa.”

“O que você fez?” perguntei. “Bem, havia uma enfermeira grande e forte
me fazendo perguntas. Ela perguntou se eu era alérgico a alguma coisa… ‘Sim’, respondi. Os médicos e enfermeiras pararam imediatamente por causa da minha resposta.

Respirei fundo e disse: ‘Balas!’
Enquanto eles riam eu disse:

‘Eu estou escolhendo viver. Me operem como se estivesse vivo, não morto.”
Jerry sobreviveu graças a experiência e habilidade dos médicos, mas também por causa de sua atitude espetacular.

Aprendi com ele que todos os dias temos que escolher viver a vida em
sua plenitude, viver por completo.

Atitude, portanto, é tudo.

(autor desconhecido)

Publicado originalmente em Calor Humano

O Vento que sopra pelas Flores

Publicado em

Há vários anos atrás, em Seattle, Washington, vivia um refugiado tibetano de 52 anos de idade. “Tenzin”, é como vou chamá-lo, foi diagnosticado como portador de uma forma de linfoma das mais fáceis de curar. Ele foi internado em um hospital e recebeu a primeira dose de quimioterapia.
Mas durante o tratamento, este homem normalmente gentil tornou-se agressivo e irritado; arrancou a agulha intravenosa de seu braço e negou-se a cooperar.

Ele então gritou com as enfermeiras e discutiu com todos ao seu redor. Os médicos e enfermeiros ficaram desconcertados. Depois, a esposa de Tenzin falou com o pessoal do hospital. Ela contou que Tenzin foi um prisioneiro político dos chineses por 17 anos, eles mataram sua primeira esposa e ele foi repetidamente torturado brutalizado durante todo o tempo em que esteve preso.

As normas e regulamentos do hospital, juntamente com a quimioterapia, fez Tenzin recordar todo o sofrimento que passou nas mãos dos chineses.

“Eu sei que vocês querem ajudá-lo,” ela disse, “mas ele se sente torturado pelo tratamento, eles fazem com que ele sinta ódio internamente – da mesma maneira que os chineses fizeram ele se sentir. Ele prefere morrer do que viver com o ódio que ele está sentindo agora. e, segundo nossas crenças, é muito ruim ter tamanho ódio no coração na hora da morte. Ele precisa estar apto para rezar e limpar seu coração.”

Assim, o médico dispensou Tenzin e recomendou uma equipe da clínica de repouso para visitá-lo em casa. Eu era a enfermeira encarregada de cuidar dele. Eu entrei em contato com um representante da “Anistia Internacional” para pedir-lhe conselhos. Ele me disse que a única forma de sanar o trauma da tortura era “falar a respeito”. “Essa pessoa perdeu sua confiança na humanidade e sente que a esperança é impossível.” Mas quando eu encoragei Tenzin a falar sobre suas experiências, ele ergueu suas mãos e me fez parar.

Ele disse, “Eu preciso aprender a amar de novo se eu quiser curar minha alma. Sua tarefa não é fazer perguntas. Sua tarefa é me ensinar a amar novamente.”

Respirei profundamente e perguntei, “E como eu posso fazê-lo amar de novo?”
Tenzin respondeu prontamente, “Sente-se, tome meu chá e coma meus biscoitos.” O chá tibetano é um chá preto forte, coberto com manteiga de iaque e sal. Não é fácil de bebê-lo! Mas, foi o que eu fiz.

Por várias semanas, Tenzin, sua mulher e eu nos sentamos juntos e tomamos chá. Nós também conversamos com os médicos para achar formas de tratar suas dores físicas. Mas era sua dor espiritual que deveria ser diminuída. Cada vez que eu chegava, via Tenzin sentado de pernas cruzadas em sua cama, recitando preces de seus livros. Com o passar do tempo, sua mulher foi pendurando mais e mais ‘thankas’, bandeirolas budistas coloridas, nas paredes.

Em pouco tempo, o quarto parecia um colorido templo religioso. Na chegada da primavera, eu perguntei o que os tibetanos faziam quando estavam doentes na primavera. Ele abriu um grande sorriso e disse, “Nós nos sentamos e aspiramos o vento que sopra pelas flores.” Eu pensei que ele estava falando poeticamente, mas suas suas palavras eram literais.

Ele explicou que os tibetanos fazem isso para serem pulverizados com o pólen das novas floradas, carregadas pela brisa. Eles acreditam que esse pólen é um potente medicamento. No primeiro momento, achar muitas floradas parecia um pouco difícil.

Mas, um amigo sugeriu que Tenzin visitasse algumas floriculturas locais. Eu liguei para o gerente de uma floricultura e expliquei-lhe a situação.

Sua reação inicial foi “Você quer o quê???” Mas quando eu expliquei melhor o meu pedido, ele concordou.
Então, no final-de-semana seguinte, eu busquei Tenzin, sua esposa e suas provisões para a tarde: chá preto, manteiga, sal, xícaras, biscoitos,almofadas e livros de preces. Eu os deixei na floricultura e combinei de pegá-los às 17 horas. No outro final-de-semana, visitamos uma outra floricultura. E mais outra no terceiro fim-de-semana.

Na quarta semana, eu comecei a receber convites das floriculturas para Tenzin e sua mulher para voltarem novamente. Um dos gerentes disse, “Nós temos uma nova remessa de nicotianas e lindas fuchsias.ah, sim! E temos belas dafnias. Eu sei que eles vão adorar o perfume das dafnias! E eu quase me esqueci! Temos uns novos bancos de jardim que Tenzin e sua esposa vão adorar!” No mesmo dia, outra floricultura ligou dizendo que eles tinham recebido birutas coloridas para Tenzin saber de que direção o vento estava soprando.

Logo, as floriculturas estavam competindo pelas visitas de Tenzin. As pessoas começaram a se importar com o casal tibetano.

Os empregados arrumavam os móveis de frente para o vento. Outros traziam água quente para o chá. Alguns fregueses regulares deixavam seus carrinhos de compras próximos do casal. E no final do verão, Tenzin voltou ao seu médico para novos exames e determinar o desenvolvimento da doença. Mas o doutor não achou nenhuma evidência de câncer. Ele estava abobalhado; disse à Tenzin que ele simplesmente não sabia explicar aquilo.

Tenzin levantou seu dedo e disse, “Eu sei porque o câncer se foi. Ele não podia mais viver num corpo tão cheio de amor. Quando eu comecei a sentir a compaixão das pessoas da clínica, dos empregados das floriculturas, e todas essas pessoas que queriam saber de mim, eu comecei a mudar por dentro. Agora, eu me sinto afortunado por ter a oportunidade de ser curado dessa forma. Doutor, por favor, não acredite que a sua medicina é a única cura. Às vezes, a compaixão pode também curar um câncer.

Lee Paton

Telefone

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Quando eu era criança, bem novinho, meu pai comprou o primeiro telefone da nossa vizinhança. Eu ainda me lembro daquele aparelho preto e brilhante que ficava na cômoda da sala. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava ouvindo fascinado enquanto minha mãe falava com alguém.
Então, um dia eu descobri que dentro daquele objeto maravilhoso morava uma pessoa legal !! O nome dela era “Uma informação, por favor” e não havia nada que ela não soubesse. “Uma informação, por favor” poderia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa. Minha primeira experiência pessoal com esse gênio-na-garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho.

Eu estava na garagem mexendo na caixa de ferramentas quando bati em meu dedo com um martelo. A dor era terrível mas não havia motivo para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para me oferecer a sua simpatia.

Eu andava pela casa, chupando o dedo dolorido até que pensei: O telefone! Rapidamente fui até o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente à cômoda da sala. Subi na escada, tirei o fone do gancho e segurei contra o ouvido. Alguém atendeu e eu disse: “Uma informação, por favor”. Ouvi uns dois ou três cliques e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido:
– “Informações.”
– “Eu machuquei meu dedo…”, disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência.
-“A sua mãe não está em casa?”, ela perguntou.
-“Não tem ninguém aqui…”, eu soluçava.
-“Está sangrando?”
-“Não”, respondi. “Eu machuquei o dedo com o martelo, mas tá
doendo…”
-“Você consegue abrir o congelador?”, ela perguntou.
Eu respondi que sim.
-“Então pegue um cubo de gelo e passe no seu dedo”, disse a voz.
Depois daquele dia, eu ligava para “Uma informação, por favor” por qualquer motivo. Ela me ajudou com as minhas dúvidas de geografia e me ensinou onde ficava a Philadelphia. Ela me ajudou com os exercícios ensinou que o pequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.

Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Eu liguei para “Uma
informação, por favor” e contei o ocorrido. Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se dizem para uma criança que está crescendo. Mas eu estava inconsolável. Eu perguntava:
-“Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola?”

Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque acrescentou mansamente:
-“Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde a gente pode cantar também…”

De alguma maneira, depois disso eu me senti melhor. No outro
dia, lá estava eu de novo. “Informações.”, disse a voz já tão
familiar.
-“Você sabe como se escreve ‘exceção’?”
Tudo isso aconteceu na minha cidade natal ao norte do Pacífico.
Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para Boston. Eu sentia muita falta da minha amiga. “Uma informação, por favor” pertencia àquele velho aparelho telefônico preto e eu não sentia nenhuma atração pelo nosso novo aparelho telefônico branquinho que ficava na nova cômoda na nova sala.

Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam da minha memória. Freqüentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo.

Hoje eu entendo como ela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um molequinho. Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma escala em Seattle. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos. Falei ao telefone com minha irmã, que morava lá, por 15 minutos. Então, sem nem mesmo sentir que estava
fazendo isso, disquei o número da operadora daquela minha cidade natal e pedi: “Uma informação, por favor.”

Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo “Uma informação, por favor” Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando:
– “Você sabe como se escreve ‘exceção’?” Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave:
-“Eu acho que o seu dedo já melhorou, Paul.”
Eu ri. “Então, é você mesma!”, eu disse. “Você não imagina como era importante para mim naquele tempo.”
“Eu imagino”, ela disse. “E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse.” Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã.
-“É claro!”, ela respondeu. “Venha até aqui e chame a Sally.”
Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã.
Quando liguei, uma voz diferente respondeu :
-“Informações.” Eu pedi para chamar a Sally.
-“Você é amigo dela?”, a voz perguntou.
-“Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul.”
-“Eu sinto muito, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio
período porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco
semanas.”
Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou:
-“Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?”
-“Sim.”
-“A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar caso você ligasse. Eu vou ler pra você.”
A mensagem dizia: -“Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar também.
Ele vai entender.”

Eu agradeci e desliguei. Eu entendi…

NUNCA SUBESTIME A “MARCA” QUE VOCÊ DEIXA NOS OUTROS!!!

colaborou Altamiro Carvalho, publicado originalmente no site Calor Humano em 2004.

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